Muito tempo já passou desde que iniciei esta nova etapa como professora. Muitos meses já findaram os seus dias e muito já vivi na Amareleja, bem como na rotina de ser a professora de EMRC e não a miúda licenciada em Comunicação Social ( menos uma cadeira) que decidiu apostar no futuro com outros olhos e ambições.
Muito tempo passou desde que deixei aqui neste espaço as minhas impressões sobre o que de novo ia constatando na EBI de Amareleja, na experiência de lidar com professores com formação de base e mais alertados para esta área. Todos os dias me surpreendo como muitos ainda conseguem ver paixão numa prática tão maltratada e desprezada, como é o ensino e da educação.
Amargura-me perceber que somos, e aqui já tomo parte como professora, uma classe que luta contra um monstro invisível: a deplorável situação social que se vive no nosso país e que assola todas as camadas populacionais: a inércia, a falta de respeito e de olho de futuro.
A educação passou a ser renegada para o plano da formação escolar e os professores passaram a ser pais a tempo inteiro, dos filhos dos outros. A aturar a má formação de muitos, a ser heróis por arranjar mil e uma maneiras de passar os meninos e de justificar apalermadamente o porquê do insucesso escolar de muitos. Agora a culpa não é do aluno que não estuda, que se recusa a passar os sumários ou a pelo menos respeitar o professor como entidade mais velha. Agora, perante o que se vive actualmente, o professor é um estóico ser que engole sapos, dados de boa vontade por um ministério burocraticamente corrompido pela insensatez de chegar a números Europeus… sinceramente, eu que ainda à bem pouco tempo estava no lado de aluna, custa-me saborear um presente envenenado, este de agora ser docente e ver que a realidade é tão custosa…
Custa mesmo. A mim não tanto, ainda. Mas percebo o desgosto de muitos colegas e a trapalhada que é querer-se ser bom profissional com a realidade que se tem.
(isto é só um desabafo de quem caiu de para-quedas na profissão)